"Já viram um homem com um buquê de flores na rua? É uma experiência antropológica indescritível. O sujeito anda meio de lado, desconfiando de si mesmo, sentindo-se observado. Os vizinhos que passam por ele sorriem como que dizendo 'vai fazer uma média em casa'. Os desconhecidos do sexo masculino olham com raiva como que denunciando uma traição à categoria. Parecem dizer: 'Cretino, vai nos obrigar a fazer o mesmo ou a ficar dando explicações'. As senhoras idosas suspiram. Os olhos delas brilham com uma velha nova intensidade. As adolescentes ficam espantadas. As mulheres entre 35 e 50 anos quase pedem autógrafo. Algumas chegam a virar-se para olhar melhor como se estivessem diante de um extraterrestre. O próprio portador das flores sente-se chegando de Marte. Há quem fique até um pouco envergonhado ou intimidado."
(excerto de crônica publicada no CP dia 13 de junho de 2009)








